domingo, 14 de março de 2010

1ª Parte


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Monólogo do Homem:

Homem – Óh felicidade fugidia, que teimas em não aparecer, por onde andas tu, que nunca te conheci?! Estás, porventura, aqui?!
Resposta – Aqui… (ouve-se ao longe)
Homem – Sejas bem-vinda, finalmente. Obrigado por responderes ao meu chamamento que de ti tanto tenho andado necessitado… Mas mesmo assim, não te vejo, só te ouço. Onde estás, para que te olhe de frente e te conheça finalmente, para que acredite que estás mesmo aqui…
Resposta – Aqui… (ouve-se ao longe)
Homem – Olho à volta (enquanto olha à volta) e continuo sem te ver… Será que tens imagem e que te posso ver?! Se sim, mostra-te agora e aqui…
Resposta – Aqui… (ouve-se ao longe)
Homem – Começo a deixar de acreditar em ti… Só repetes que estás aqui, aqui, aqui, mas não te vejo em lado nenhum!!! Pareces eco…
Resposta – Eco… (ouve-se ao longe)

O Homem encara o público, sem dizer nada, cúmplice, e compreendendo que tudo o que ouvia era simplesmente o eco das suas últimas palavras, começa a declarar em voz de lamento:

Homem – Óh felicidade, porque estás em todo lado, menos aqui?! (apontando para os seus pés)
Homem – Óh felicidade, porque andas por todo lado, menos por aqui?! (abrindo os braços)
Homem – Óh felicidade, porque passas por todo lado, menos por aqui?! (apontando para as pessoas que parecem falar atrás de si)
Homem – Óh felicidade, porque vais a todo lado, menos aqui?! (apontando para o público)
Homem – Óh felicidade, porque te impões em todo lado, menos aqui?! (fazendo um gesto que abrange todo o salão, palco e público)
Homem –Óh felicidade, porque estás em todo lado, menos aqui?! (olhando o público olhos nos olhos)
Homem - Aqui, no UNIVERSO… (virando-se para trás e apontando para a janela)

O Homem volta-se de novo de frente para o público, despe a roupa vermelha que trás vestida, e por baixo, eis que surge uma roupa cinzenta, tal qual a roupa dos restantes homens e mulheres que vagueiam atrás de si…

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