12ª Parte: O Homem volta ao palco, vestido de cinzento, atrás de si começam a entrar todas as personagens da peça, uns vestidos de cinzento e outros vestidos de vermelho:
São essas mesmas personagens, o Jornalista (entra de cinzento), a Peixeira (entra de cinzento), o Palhaço (entra de cinzento), o Vendedor (entra de cinzento), o Editor (entra de cinzento), as três crianças (entram de vermelho), o Sábio (entra de vermelho), a Rapariga (entra de vermelho), a Jovem Rapariga (entra de vermelho), o Pai e a Mãe da Jovem Rapariga (entram de cinzento), o Carteiro (entra de cinzento), o Jovem (entra metade de cinzento, metade de vermelho), os Figurantes (entram de cinzento).
Essas personagens parecem falar entre si, mas tal como na primeira parte, não se ouve qualquer ruído, como se todos fossemos surdos no que toca a ouvi-las, mas vemos-lhes o gesticular dos braços e dos lábios, como se estivessem mesmo a conversar.
Então, à frente dessas mesmas pessoas, bem destacado, o Homem começa a dissertar:
Homem – Óh felicidade, que sei que andas por aí, por onde andas tu, estás porventura aqui?!
Resposta – Aqui… (ouve-se ao longe)
O Homem despe a roupa cinzenta e por baixo surge uma roupa vermelha. Algumas personagens fazem o mesmo, nomeadamente, o Jornalista, o Palhaço, o Carteiro e o Jovem.
Homem – Sejas bem-vinda! Obrigado por responderes ao meu chamamento que de ti desconfiei e afinal provaste existir. A verdade é que não te vejo, só te ouço, mas mesmo assim acredito que estás aí, porque sinto de todo o coração que existes. Obrigado por teres vindo aqui…
Resposta – Aqui… (ouve-se ao longe)
Homem – A tua resposta continua a ser a mesma da primeira vez que perguntei por ti. Na altura acusei-te de seres apenas eco…
Resposta – Eco… (ouve-se ao longe)
O Homem encara o público, sem dizer nada, cúmplice, e fica assim durante uns segundos.
Após o silêncio, continua:
Homem – O Universo faz eco! Se lhe dermos o cinzento, o reflexo será cinzento… Se lhe dermos o vermelho, o reflexo será vermelho. O cinzento é a cor fácil, a cor que qualquer um pode alcançar e viver com ela enquanto quiser. O vermelho obriga ao risco, obriga a viver com intensidade, obriga a seguir com coragem ao invés da preguiça de nos acomodarmos. O cinzento é medo, o vermelho é paixão. Quando há paixão, há fogo, nada nos pode parar nada nos consegue agarrar, tudo é possível. São vocês que escolhem a cor que vos alimenta o espírito. Não deixem que ninguém escolha por vocês o que só a vós cabe decidir, não se tornem nunca seres dependentes. É possível amar e ser amado sem ser dependente, é possível estar com alguém sem ser dependente, é possível sermos nós mesmos e lutarmos por nós mesmos sem por isso nos tornarmos dependentes… nem egoístas!!! Porque só assim podemos aspirar a vestir de vermelho…
Os restantes personagens de cinzento despem a roupa cinzenta e ficam de vermelho.
Cada um desses personagens vai chegando à frente no palco e diz:
Um de cada vez – Eu acredito!
No final, o Homem diz:
Homem – Eu acredito!
(Todas as personagens, incluindo o Homem fazem uma vénia e despedem-se do público…)
FIM
FIM

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