domingo, 14 de março de 2010

6ª Parte



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Uma jovem mulher entra em palco, bela e formosa:

A rapariga vem vestida de tonalidades vermelhas.

Rapariga – Por onde andará o meu amor? Alguém o viu? Passou ele porventura aqui? Não me escondam nada! Eu sei que ele não deve estar longe. Ele é um belo astronauta, cantor e poeta. Canta as próprias músicas que ele escreve. Já foi ao espaço e conhece todos os cantos do Universo. Alguém o viu por aqui?

O Homem entra no palco vestido de astronauta, um fato de tons avermelhados.

Homem – Estou aqui, estou aqui. Meu amor, tardaste tanto a chegar, julguei que não viesses para te amar!
Rapariga – Oh meu amor. Eu disse-lhes que tu eras um belo astronauta, cantor e poeta. Acho que eles duvidaram de mim. (apontando para o público)
Homem – O que importa é que já estou aqui, longe do lugar onde o tempo controla o dinheiro e o dinheiro controla o tempo, perto do coração, vestindo a cor da paixão.
Rapariga – Vieste desse lugar assim, como passaste a fronteira?
Homem – Não me lembro bem! Acho que vim aqui parar, apenas.
Rapariga – Não foi preciso lutares por aquilo que querias?
Homem – Que me lembre, foi apenas desejar acordar aqui!
Rapariga – Que estranho!
Homem – O que importa é que estou aqui, o resto não interessa. Quero beber nos teus lábios o fruto que vai saciar o meu desejo, quero provar na tua boca o teu doce beijo.
Rapariga – Beija-me, meu amor. Mostra a todos o quanto me amas.

O Homem aproxima-se para beijar a rapariga mas ela começa a afastar-se.

Rapariga – Espera! Isto está errado. Tu nunca arriscaste conquistar-me, como queres beijar-me?
Homem – Mas este é o lugar onde devo ser feliz, como ousas escapar-me assim?

Dois homens entram em palco transportando um colchão e pousam-no no meio do palco. Os dois homens abandonam o palco.

Rapariga – Quando ousares correres riscos e vieres como um verdadeiro cavaleiro para me conquistares, eu deixarei que desfrutes dos meus lábios.

A Rapariga sai a correr do palco.

O Homem despe o fato de astronauta, fica vestido de cinzento, deita-se no colchão que está no meio do palco e fecha os olhos. Fica assim cerca de dez segundos.

O Homem abre os olhos e levanta-se da cama com um movimento bruto.

Homem – Foi só um sonho. Apenas um sonho! Como poderia pensar que de repente me tinha transformado num belo astronauta, cantor e poeta que tinha uma bela e formosa princesa nos seus braços? Que burro! Só podia mesmo ser um sonho. Vocês podiam ter-me acordado, escusava eu de ter chegado tão longe e ter ouvido as dolorosas palavras de minha amada. Mas vocês querem lá saber, nem de vocês querem saber como podem querer saber de mim?

O Homem abandona o palco triste e sisudo.
Os dois homens vêm recolher o colchão.

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